A construção de Brasília
O pioneirismo, como imaginário coletivo, instalou-se no ritmo das obras da nova capital. Brasília não parava, não desistia, aceitava o sacrifício de longas jornadas de trabalho, de acomodações precárias, de frio, de falta de conforto, da distância dos familiares, em nome de ua utopia a ser concretizada.
A construção de Brasília interiorizou a cultura, a economia, a infra-estrutura e a educação no Brasil. A esperada mudança da face identitária nacional não aconteceu de forma automática, ao contrário, ainda nos dias de hoje, pode-se perceber uma distância real entre a modernidade desejada e as condições existentes para a sua concretização.
Brasília simbolizava, em 1960, a ruptura com o passado e o nascimento de um novo país. Movia-se pela esperança de um mundo com melhores condições de vida e relações humanas, uma aposta na potencialidade do povo brasileiro para a construção de um grandioso futuro.
O projeto de educação para a nova capital compartilhou a mesma fonte de inventividade e cidadania que orientou as propostas urbanística e arquitetônica.
“Mudança deveria significar a existência de uma cidade-palácios, edifícios ministeriais, residências para a população, sedes do Poder Legislativo e do Judiciário, energia elétrica, água, ruas asfaltadas, rede de estradas, enfim, todo o complexo de utilidades que compõe e faz funcionar um grande centro urbano. De tudo isto, porém, só existia mesmo naquela região a planura do deserto e, comunicando certa vida à paisagem de desolação, estendia-se até os sem-fins do horizonte o cerrado – um mar de árvores raquíticas, retorcidas e quase órfãs de folhas – que era o lado oposto, em feição agreste, do céu, que é um dos mais belos do mundo.” Porque construí Brasília, Juscelino KUBITSCHEK, 2000, p. 50.
Antes da construção de Brasília, o Brasil desconhecia a dimensão do seu território e do seu povo. Naquela época, nas pequenas vilas distantes do litoral, o tempo passava devagar, como mostra Graciliano Ramos.
“Milho crescia em roças, sabiá deu cria, gameleira pingou frutinhas, o pequí amadurecia no pequizeiro e a cair no chão, veio veranico, pitanga e caju nos campos. Ato que voltaram as tempestades, mas entre aquelas noites de estrelaria se encostando. Daí, depois, o vento principiou a entortar rumo, mais forte (...) porque o tempo todo das águas estava no se acabar”. Grande Sertão Veredas, Guimarães ROSA. p. 265)
No período da construção, a vida social se dava pelo uso de estruturas comuns, organizadas para atender os residentes com escolas provisórias e pequeno comércio que possibilitava a troca de objetos e serviços. Legado de modernidade em Brasília, as Unidade de Vizinhança trazem um conceito simples que contrasta com o urbanismo das capitais tradicionais, por oferecerem aos seus habitantes equipamentos e serviços comuns à comunidade e criando, assim, novas relações sociais.
A primeira missa de Brasília ocorreu na Praça do Cruzeiro, em 1957, celebrada pelo arcebispo de São Paulo, Cardeal Carlos Camelo de Vasconcelos Motta. A cerimônia marcava o início da construção da nova capital. Nessa ocasião, a cidade recebeu a imagem de Nossa Senhora Aparecida, preservada até hoje na Catedral Metropolitana, juntamente com a cruz de madeira utilizada no ritual.
A primeira imagem a respeito da educação no Distrito Federal retrata a Professora Anahir Pereira Costa, fundadora do Instituto Batista, na Cidade Livre, atual Núcleo Bandeirante, onde lecionava para os filhos de pioneiros.
